Recomendação da semana #2: 5 álbuns musicais do Rock Nacional

Pegando o gancho do dia do rock que se passou (13 de Julho), e aproveitando o blog para falar de outra paixão artística que tenho, a música, quero compartilhar um pouco sobre discos “clássicos” do rock brasileiro, o nosso rock plural que existe em nossa terra. Falo de discos nacionais porque o rock nacional é uma verdadeira paixão para mim, me acompanha durante os meus dias e ajudou muito no desenvolvimento da minha criticidade cotidiana. Torço muito para que o mesmo volte a ser valorizado como antigamente (como nos anos 80), já que vivemos atualmente numa indústria musical radiofônica singular focada em hits do sertanejo universitário e funk (nos quais desconheço 80%, mas jamais por intolerância aos ritmos). Devo dizer que o texto tem função apenas de recomendação e valorização, não como uma análise técnica- profissional das obras artísticas, até porque também não sou nenhum músico ou profissional da área. Além disso, entendo a música como transmissão de proposta e de mensagem, e também considero o rock n’roll muito além do punk rock e do hard rock (para evitar sair brigando por ai em dizer o que é “Rock” e o que não é). Sem mais delongas, vamos lá:

1) “Ventura” (2003), Los Hermanos.

ventura

Banda carioca formada pelo quarteto Camelo, Amarante, Medina e Barba, costumo dizer que o Los Hermanos foi um divisor de águas artístico-musicalmente em minha vida. A banda que me fez apaixonar pela música brasileira, me interessar pela “bossa nova-rock n’ roll” a qual eu tinha muito preconceito. Ventura é o terceiro disco deles, não é meu disco preferido, mas me marcou por ter sido o primeiro que escutei, pelo primeiro choque, pelo primeiro vício, e por flertar muito bem com o samba (“Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?”) e o pop, além dos arranjos inconfundíveis (o que dizer da faixa “O par”?). Destaco as canções “Último Romance” (Amarante), “De Onde Vem a Calma” (Camelo), “O Velho e o Moço” (Amarante) e “Conversa de botas batidas” (Camelo), esta última sendo uma das músicas mais bonitas que existem.

2) “Seu Espião” (1984), Kid Abelha.

seu-espiao

Primeiro disco da banda carioca comanda durante toda sua trajetória por Paula Toller, me faz criar uma imagem de uma época que não vivi toda vez que o escuto. A década de ouro do rock brasileiro, os anos 80. Dos arranjos dançantes à melancolia romântica, o primeiro que escutei ponta a ponta do Kid Abelha e o que me fez me apaixonar pela extinta banda. Destaco as canções “Como eu Quero” e  “Por que não eu?”, esta última composta em parceria de Toller, Leoni com Hebert Vianna, do Paralamas do Sucesso.

3) “Vivendo e Não Aprendendo” (1986), Ira!
Vivendo-E-Não-Aprendendo-cover

O segundo álbum de estúdio da banda paulista comandada por Nasi e Edgard Scandurra (compositor de todas as canções do disco), mais um da década de ouro do rock brasileiro. Flerta do sentimental, existencial à pura criticidade, com variações rítmicas destacáveis, trazendo aquela angústia do jovem adulto dos anos 80, com composição sonora bem pós-punk alternativa. Destaque para “Dias de Luta”, “Envelheço na Cidade” e “Flores em você”, que alcançaram grande sucesso de público.

4) “Nós Vamos Invadir sua Praia” (1985), Ultraje a Rigor.

ultraje

Álbum de estreia da banda paulista, que hoje é mais reconhecida pelo grande público apenas como uma banda animadora de programa de auditório. Por mais que Roger fale muita besteira atualmente, não podemos negar o quanto ele é inteligente. Letrista de 80% das músicas desse disco, traz a característica de compor de forma satírica a maioria das músicas, com aquelas famosas indiretas à padronização musical, social, comportamental e política vigente na época. Destaco “Rebelde Sem Causa”, que mostra o quanto os jovens de classe média são ingratos à vida que possuem (que 30 anos depois concordo plenamente ainda). E muitos delas, como “Ciúmes” e “Nós vamos invadir sua praia” se tornaram verdadeiros hits.

5) “Acústico MTV” (2004), Engenheiros do Hawaii.

Engenheiros_Do_Hawaii_-_Acustico_MTV

O único disco “ao vivo” e de copilado de canções, não o poderia deixar de fora, principalmente pra fechar a lista de recomendações. A roupagem acústica dada às clássicas canções dos Engenheiros faz desse álbum um disco leve. Foi através dele que conheci essa banda gaúcha. É daqueles que levo como trilha sonora no dia-a-dia da vida, mas nunca deixando de lembrar a significância daquelas músicas, que incrivelmente me surpreende toda vez que escuto, com algum trecho que me marca no momento ou com alguma admiração pelo talento multi-instrumentista de Humberto Gessinger e de suas canções, que anteriormente possam ter passado batido. Sempre tem aquela que vai ficar na cabeça durante a semana inteira. Assim como o Los Hermanos, passeia muito pelo pop, rock e o mpb, com ampla criticidade comportamental e social nas entrelinhas de seus versos. Destaco as canções “A Revolta dos Dândis”, “Infinita Highway” e “3ª do plural”.

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