O terror ultrarromântico de Penny Dreadful

Penny Dreaful foi uma série do canal televisivo Showtime, e reproduzida no Brasil através da HBO e que me surpreendeu bastante. Foi um dos trailers que mais me cativaram na época que comecei a ver, em sua primeira temporada, em 2014. Outra coisa também que chamou a minha atenção tem a ver como o nome: Penny Dreadfuls eram publicações feitas, de gênero terror e ficção científica, no séc. XIX, em Londres, e geralmente eram muito baratas, por isso o nome “penny” que traduzido significa “centavos”. Escrevo sobre ela em tom de saudade, pois foi uma série que me causou uma grande experiência cinematográfica televisiva, inclusive por possuir duas coisas no qual aprecio muito: terror e delicadeza.

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Criada por John Logan (roteirista três vezes indicado ao Oscar), Penny Dreadful, inicialmente, acompanha a jornada do personagem Sir Malcolm (Timothy Dalton) em busca de sua filha que foi sequestrada por uma entidade sobrenatural. Como parte dos planos, ele monta uma “Liga extraordinária” – pessoas talentosas em diferentes habilidades – pra ajudar nesse resgate. Entre elas, está a médium Vanessa Ives (Eva Green – estonteante no papel, indicada ao Globo de Ouro pela performance), o pistoleiro Ethan Chandler (Josh Hartnett) e o Médico Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadway). Por mais que essa premissa pareça básica e um tanto quanto heróica, ela serve um tanto quanto de plano de fundo para o desenvolvimento de seus personagens. Penny Dreadful surpreende ao abordar, de forma eficiente, o terror psicológico que envolve as mentes atormentadas de cada um de seus personagens, que possuem, dentro das histórias de medo das temporadas – cada uma possui um arco narrativo diferente que se encerra na própria temporada – seus próprios medos e conflitos quanto às suas próprias existências. Nessa jornada, eles têm que enfrentar seus próprios “demônios” internos, na busca por uma auto aceitação, influenciados por seus passados fúnebres e misteriosos.

O maior destaque entre os personagens está na Vanessa Ives. A atuação de Eva Green, com seus olhares expressivos, sutilezas e explosões, foi de encher os olhos em muitos momentos, uma das coisas mais memoráveis. A luta também de sua personagem, com sua delicadeza, sua fé, suas tristezas e todas as dificuldades que a mesma passou no seu processo de auto-conhecimento, me faz pensar o quanto ela foi uma das personagens que mais sofreram em uma série e o quão a vida nem sempre nos reserva finais felizes, mesmo com muita luta.

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Penny Dreadful chama atenção também por ser artisticamente linda (a série recebeu diversas indicações técnicas – design de produção, efeitos visuais, cabelo, maquiagem e figurino – em muitas premiações, como Emmy e BAFTA) e por inúmeros diálogos poéticos, que emergem o telespectador naquela época ultrarromântica. É aquilo que disse inicialmente, consegue mesclar bem o terror com poesia, dosa incrivelmente a beleza de uma obra de arte com momentos realmente assustadores, num clima extremamente sombrio e gótico.

Entre as temporadas, a primeira temporada é a introdutória para aquele mundo, sendo a mais misteriosa por envolver um caso de investigação. A segunda é a que mais chama atenção, onde traz à tona temas como bruxaria e ocultismo, e consegue extrair cenas com grande impacto assustador, além de uma grande ligação entre os personagens.  A terceira e última temporada nos entrega dois dos mais icônicos personagens da literatura do Horror: Drácula e Dr. Henry Jekyll (que se juntam à outros, como Dorian Grey e o monstro de Frankenstein, que estão na série desde o início). Porém, apesar da grande expectativa, pela excelente segunda temporada que foi, ela  decepciona, pela falta de organização narrativa (a série foi cancelada de forma abrupta por ter um alto valor de investimento e ter pouca audiência), tendo a metade final da temporada parecendo que foi feita às pressas. Mesmo assim, ela não estraga a essência da série e possui um final da história principal convincente, apesar de plots secundários sem grandes resoluções.

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São 27 episódios cheio de tensão, romantismo, de charme, de poesia, sem se tornar maçante e forçado em nenhum momento. E é nesse romantismo que Penny Dreadful teve uma das suas “armas” mais fortes, onde a faz ficar incomparável com alguma série do mesmo gênero. O ultrarromantismo que era vivenciado na época sendo transmitido de maneira tão tocante pela série. Para quem não sabe, esse tipo romantismo aborda muito a questão da morte, do pessimismo, do isolamento. E todo o drama realmente toca, de maneira inteligentíssima, nesses temas e os abordam de maneira bem contemplativa.

Emersamente delicada e sensível, Penny Dreadful deixou saudade. A produção digna de cinema me encantou, ela é sublime e original. Isso faz com que eu indique Penny Dreadful a todos aqueles que curtem boas histórias de horror, terror psicológico, fantasia, literatura, poesia e séries de época visualmente belíssimas. As três temporadas estão disponíveis na Netflix.

 

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