Mãe! agonia e desconforto.

Você já sentiu desconfortável? Desconforto, é ausência de conforto e comodidade e é uma sensação terrível, mas também necessária para nos tirar da nossa zona de conforto. Hollywood se tornou tão profissional em nos manter na nossa zona de conforto, nos apresentando filmes sempre com uma formula exata para darmos algumas risadas, termos algumas empolgações e sair da sala de cinema satisfeitos com um produto medíocre (literalmente na média).

Acredito que acabamos por nos esquecer dos roteiros originais, mais em particular esse ano, com obras como Get Out, lembramos o valor dessas obras em especial como elas belamente nos tiram da nossa de zona de conforto.

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mãe!, desde do começo demonstra que vem para trazer esse desconforto (e digo isso como algo bom), a câmera subjetiva, claustrofóbica, nos causa estranheza. A trilha é maravilhosa, justamente pela ausência dela, mas não se engane o som está presente no ambiente. A fotografia neutra tem um significado nos seus personagens e ambiente. Desde o começo de mãe! somos instigados que alguma coisa está errada, e ai que o filme nos pega.

Junte Polanski com a paranoia de o Bebê de Rosemary, a agonia de Gaspar Noé em Irreversível, com um pouco até da irreverência de Lars Von Trier e o surrealismo de David Lynch, você pode ter um possível resumo do que Aronofsky coloca em 120 minutos de filme em sua nova, e grandiosa, obra.

O restante do texto contém spoilers — O restante do texto contém spoilers 

mãe! trás diversos significados e alegorias, desde a mais evidente, que seria o questionamento do papel da mulher na sociedade e as relações de fama que existe hoje entre artista e seus admiradores.

Até significados mais ocultos, quando presenciamos a forte influência judaico cristã na sua historia, desde o gênesis no começo do filme, ao fruto proibido representado pelo cristal, as alegorias de Adão e Eva com as primeiras intrusões na casa, em seguida a historia de Caim e Abel quando os mais recentes hospedes entram em cena. O diluvio também está presente no segundo ato, levando todos embora. Vemos as pragas do Egito ao decorrer de certas cenas. Ao filho que a Mãe pare e o povo que o mata e come da sua carne e sangue, assim como foi Jesus Cristo, então seguimos até o final apocalíptico que a Mãe trás.

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Falando na Mãe, outro significado que ela trás é da Mãe natureza, e como ela sempre trabalha para manter nossa casa (a terra) sempre em melhor condições e reparada, mas nós, a humanidade, como intrusos, tomamos tudo sem pedir, somos arrogantes com ela, não só tomamos mais também a machucamos e extrairmos tudo para o nosso próprio proveito.

Outra metáfora que extrai de mãe! é a relação de criador e criação. De como é o nosso processo criativo para parir uma ideia, como levamos tempo e precisamos de diversas experiências (as intrusões na casa) até realmente fecundarmos nossa ideia e parirmos ela. Mas depois que damos ela ao público não temos mais controle dela, cada pessoa interpreta de uma maneira e despedaça nossa obra como melhor lhe servir. Até mesmo a ideia original de Aronofsky ele não pode mais controlar, agora que mãe! está livre para ser vivenciado pelo público, e ser entendido de maneira individual por cada um, será que o significado que o autor inseriu em sua obra é o único que podemos ter?

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